terça-feira, 27 de outubro de 2009

Acorda!!!

Acorda pra acordar, agora.


Quem na vida não fez acordo com o bem e vive a viver a vida sem ver e corre o risco de morrer sem saber que o bem é o bem que a vida tem .

Quem sonha sem saber que o sonho é a força que faz a vida ser real , não poderá saber do quanto é capaz , e se limitará aos poucos que faz ... Não saberá ser incomum .

Quem só de passado insiste em viver com o pé na estrada a retroceder , abandona a vitória , esquece a história que o fez vencedor .

Quem não sabe ver o tempo passar, prende-se ao que foi e não sabe evitar , que águas passadas voltem com força contrária o moinho mover .

Oh! Vem... não é possível mais viver assim , vida ao contrário, início preso ao fim ... rota sem rumo, naum sem direção , amor sem ter razão , porto sem barco, andor sem procissão , olhar sem bondade, abraço sem perdão , amor sem saudade, praia sem verão ...Viver sem ter razão

O poder de Mudar gerações!!

O poder de mudar gerações




Paulo Kretly





Um dia, quando eu tinha sete anos e acabara de ser alfabetizado, resolvi, por brincadeira, escrever um livro junto com meu amigo Roberto. "A Vida" era o originalíssimo título que bolamos para nossa primeira experiência literária. Mas logo admitimos que, do alto de nossos sete anos, nada sabíamos sobre o assunto a ser abordado. Decidimos, então, consultar nossas mães, aquelas que, para nós, deveriam ter resposta para tudo. Procuramos, primeiro, dona Hilda, a mãe de Roberto, e ficamos espantados diante de sua arrasadora resposta. "A vida é uma desgraça", disparou ela, prontamente. "A vida é cozinhar, lavar, limpar...", prosseguiu, entoando uma interminável ladainha de tragédias.



Depois de preencher uma página de meu caderno com sua visão pessimista e limitada da vida, senti-me tão desmotivado que decidi dar o livro por encerrado - suas palavras eram tão amargas que conseguiram arrefecer até mesmo o entusiasmo natural da infância. Mas Roberto insistiu para que continuássemos e, assim, fomos procurar minha mãe. Encontramos dona Otília esfregando roupas no tanque. Ela e dona Hilda tinham mais ou menos a mesma idade e o mesmo padrão socioeconômico, com a diferença de que dona Hilda teve apenas um filho, enquanto minha mãe teve sete. Ao ouvir nossa pergunta, dona Otília interrompeu seus afazeres e abriu um amplo sorriso. Ainda me lembro do brilho em seus olhos quando disse: "A vida é uma maravilha, uma dádiva de Deus. Existem problemas, mas as alegrias são maiores". E se pôs a enumerar os prazeres e as alegrias da vida, fazendo-nos encher três páginas do caderno com sua visão positiva e encorajadora.



Isso foi há 35 anos. Embora o livro de minha infância nunca tenha sido completado no papel, creio que, de certa forma, ele foi escrito em minha própria vida. Nas escolhas que fiz, nos valores que assumi, ainda ecoam as palavras e o exemplo de dona Otília. Hoje, dona Hilda mora na mesma casinha na qual sempre viveu, uma construção modesta que não oculta os traços de abandono e decadência que o tempo lhe deu. Dona Hilda sobrevive à custa de uma minguada aposentadoria ao lado do filho desempregado, e é possível que encontre uma amarga satisfação ao pensar: "Não disse? A vida é mesmo uma desgraça".



Dona Otília também mora na mesma casa. Sua residência, porém, sofreu várias reformas e ampliações, exibindo uma aparência bem-cuidada e um ar de aconchego. Todos os seus sete filhos foram bem encaminhados e hoje ela tem 26 netos e nove bisnetos. E, aos 82 anos, com certeza encontra uma reconfortante satisfação ao pensar: "Não disse? A vida é mesmo uma maravilha".



Minha mãe é uma figura de transição, porque é dona de uma visão progressista e ética mesmo em ambientes desfavoráveis, rompeu com uma tradição familiar nociva e estagnante, não foi conivente com os hábitos desonestos de seus colegas de trabalho e conseguiu transmitir esses valores a seus filhos, netos e bisnetos. Ou seja, foi uma pessoa que realmente mudou gerações. Sua história mostra que não são apenas os acontecimentos dramáticos que colocam à prova a firmeza com que seguimos nossos princípios.



Somos testados a cada dia, a cada hora, até mesmo quando uma criança nos pergunta: "O que é a vida?" Nossas respostas definem a pessoa que queremos ser.

Aquarela!!!

"A minha vida é uma tela que Deus me deu as cores e eu escolho o que eu pinto nesta tela..."


Uma tela pode ser agradável aos olhos, uma tela pode não ser agradável aos olhos, tudo depende da escolha das cores, dos traços que a gente permite...

E a vida é assim, nós não pintamos a tela sozinhos. Cada pessoa que você permite que entre na sua vida, trará um detalhe para a pintura que é a sua vida...

Cada pessoa que você permite que entre, que fale uma palavra, que diga alguma coisa que você acredita...

As pessoas que já passaram, os borrões, os borrões de "tinta" que deixaram...

Ou a gente vai cuidadosamente restaurando, retirando aquilo que foi colocado sem nenhum respeito, sem nenhuma consideração por aquilo que você era... os borrões que expressam o "não amor", o momento em que você foi usado, o momento em que o outro não respeitou a sua sacralidade, que o outro lhe banalizou como se você fosse uma praça pública, que o outro lhe considerou um objeto...

São as pinturas...são as pinturas que Deus vai permitindo que seja colocadas em nós...

Mas, o bom é saber que dá tempo, a tela está aí, ela não está definitivamente pronta...

Embora muitas coisas não possam ser mudadas, muitas outras poderão ser acrescentadas...

E se existem defeitos que não podem ser mudados, então a gente acrescenta com virtudes para que a gente não coloque tanta atenção nos defeitos...

Não é assim? Quando a gente tem um defeito no corpo que a gente não gosta o que é que a gente faz? A gente distrai o defeito, a gente chama atenção para aquilo que a gente tem de mais bonito...

Na aquarela da sua vida, antes que ela descolora, você tem a obrigação de colocar as melhores cores...luzes...sombras...

Pessoas que vão passando...Pessoas que vão ficando...Pessoas que nunca mais voltarão...

É a sua vida...

Não tinha aquele programa... "Essa é a sua vida"...

Essa é a sua vida, essa é a sua tela...

E agora José? A festa acabou...

Já dizia Drummond...E agora você, o que é que você está fazendo com tudo isso que Deus lhe deu?

Quais são as cores que você está permitindo que sejam colocadas na tela?

Não permita que os borrões prevaleçam...porque os borrões a gente pode tirar, é excesso... ...tire os excessos! É mais fácil você retirar os excessos hoje, do que você conviver com esse peso o resto da vida...

Quanto mais cedo a gente resolve os nossos problemas...os nossos traumas... Melhor será a nossa velhice, pra você ter que se agüentar depois... Porque você é o seu maior companheiro...não adianta! Esta é a sua vida, esta é a sua tela e você hoje está escolhendo as cores que vai colocar nela...

E descolorirá...lálálá

As pessoas entram dentro de nós, através das palavras...através de olhares... A gente acredita nos olhares...a gente acredita no que nos foi dito... E no momento em que a palavra é interpretada por mim, eu internalizo aquela pessoa, a palavra vem pra dentro de mim, a pessoa vem pra dentro de mim e isso é permitir que o outro coloque detalhes na minha tela...

Você tá pintando, e você está permitindo que outras pessoas coloquem detalhes nesta tela. Isso é definitivo.

Flores de Plástico!!!

Para quem vive longe de sua terra natal, as férias são um tempo propício para visitar vivos e mortos. Isso mesmo. Sempre existe aquele tio doente, aquela vó com saudade, aqueles primos distantes, aquele amigo de infância. Quando visito minha Santa (e bela) Catarina, sempre aproveito para dar uma passadinha no “Parque da Saudade”, onde meu pai está sepultado. Já passei tantas vezes naquele lugar. Mas dessa vez um detalhe me chamou a atenção. A grande maioria dos túmulos estavam enfeitados com “flores de plástico”. Algumas até pareciam de verdade. Outras eram cópias grosseiras desta beleza frágil que a natureza cria para atrair abelhas e beija-flores. As imitações nascidas em lojinhas de R$ 1,99 não atraíam ninguém. Eram flores solitárias. O sol as castigava e roubava sua cor. Este é um dos resultados no nosso prático espírito moderno.


Por que será que as pessoas optaram por colocar as tais flores de plástico no lugar do repouso de seus entes queridos? Fiquei imaginando algumas repostas. Alguém diria que é melhor, pois elas não murcham, não soltam cheiro, não precisam de água… Tudo isso tem apenas um significado: podemos esquecer dos mortos, pois as flores artificiais não precisam de cuidado. Aí está o “X” da questão: o “cuidado”. Somente cuidamos daquilo tem vida. Os mortos estão mortos… por que lhes dar flores vivas? Mas este não “era” exatamente o sentido de oferecer flores e velas aos mortos? Acreditamos na vida apesar de sua fragilidade. Recordamos os que morreram, apesar do tempo. As flores são símbolos fortes de vida. São sinais de cuidado. São presentes infalíveis. Na dúvida, dê flores. O bom é que elas são “inúteis”. Não servem senão para encantar por alguns momentos. Algumas não duram uma semana… e ainda exigem cuidado. Depois murcham e desaparecem sem ferir a mãe terra. Flores naturais são ecologicamente corretas. As flores de plástico levarão muitos anos até se reintegrar à natureza. Duram demais. Já nascem mortas.

Eu estava distraído nestes pensamentos quando minha irmã disse que naquele cemitério havia um túmulo totalmente diferente. Era de uma garotinha muito nova, quem sabe doze anos, que havia falecido no dia 12 de junho de 2004. Dia dos Namorados. Havia gramináceas plantadas sobre o túmulo, enfeitado com bonequinhas e borboletas, presépios e flores… Acredite: de verdade! Bem ao lado havia uma árvore onde uma casinha abrigava pequenos pássaros – atraídos pela comida que alguém generosamente deixara ali. Beija-flores vinham beber a água açucarada que existia em um recipiente próprio. Alguns vasos de flores estavam ao redor daquele monumento à vida. Minha irmã descobriu que a pessoa, que mantinha aquele lugar, tomara o cuidado de deixar uma garrafinha de plástico com água e um pequeno furo, de modo que a água ia aos poucos alimentando as flores. Afinal, o plástico não era tão ruim assim. Percebemos que as garrafas estavam vazias. Enchemo-nas e as colocamos novamente nas flores. Antes de sair fizemos uma prece natural. Impossível não ser elevado ao êxtase quando a vida vence. Aquela garotinha vive… vive muito!

Decisão de um Juiz!!

DECISÃO


'Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha,que foram detidos em virtude do suposto roubo de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Gandhi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito Alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)...

Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário, apesar da promessa deste Presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz. Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia... Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra...

E aí? Cadê a Justiça nesse mundo?

Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.

Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas. Não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir...

SIMPLESMENTE MANDAREI SOLTAR OS INDICIADOS.. . QUEM QUISER QUE ESCOLHA O MOTIVO!

Expeçam-se os alvarás de soltura. Intimem-se'.

RAFAEL GONÇALVES DE PAULA Juiz de Direito

O que é Amar???

O seu namoro só terá sentido se for um aprendizado


O namoro é um aprendizado do amor. Fomos criados para viver o amor. Sem ele o homem e a mulher não podem ser felizes. Mas, afinal, o que é amar?



O que leva muitos casamentos ao fracasso é a noção falsa que se tem do amor hoje. Há no ar uma 'caricatura' do amor. Se eu lhe der uma nota de cem reais falsa, você não aceitará, pois ela não vale nada, e você ainda poderia ser incriminado por causa dela. Se você construir uma casa usando cimento falsificado, cuidado por que ela poderá desabar sobre a sua cabeça. Se você levar para o casamento um amor falso, ele certamente desabará, pois o 'cimento' da união é o amor.





Para mostrar bem claro o que é amar, vamos iniciar mostrando o que não é amar. Amor não egoísmo; isto é, preferência por mim, mas pelo outro. Se você come uma fruta com gosto, não pode dizer que a ama. Se você treme de paixão diante de uma menina, e lhe diz : 'eu te amo', esteja certo de que você está mentindo, pois esta tremedeira é sinal de que você quer saciar o seu ego desejoso de prazer. Isto não é amor, é paixão carnal, é egoísmo. Se você está encantada com a beleza dele e se desdobra em declarar o seu amor por ele, saiba que isto também não é ainda amor, pois amor não é pura emoção ou sentimento.

Amar é muito mais do que isso, pois não é satisfazer a si mesmo, mas ao outro.

Quando você disser a alguém 'eu te amo', esteja certo de que você não quer a sua própria satisfação ou felicidade, mas a do outro. Cuidado com as 'caricaturas' do amor porque são falsas, e não podem fazer a felicidade do casal. Todo jovem tem sede de amar, mas muitas vezes o seu amor é mascarado e se apresenta falso e perigoso. Amar não é apoderar´se do outro para satisfazer-se; é o contrário, é dar-se ao outro para completá-lo. E para isto é preciso que você se renuncie, se esqueça. Você corre o risco de, insatisfeito, querer apaixonadamente agarrar aquilo que lhe falta; e isto não é amar.

Assim o amor morre nas suas mãos. Você só começará a compreender o que é amar, quando a sua vontade de fazer o bem ao outro for maior do que a sua necessidade de tomá-lo só para si, para satisfazer-se. São precisos oito anos para formar um médico, dez anos para se defender uma tese de doutorado. Para amar de verdade, será preciso uma longa preparação, porque somos egoístas. Sabemos, que a pressa é inimiga da perfeição. Há um provérbio chinês que ensina que tudo aquilo que quisermos construir sem contar com o tempo, ele mesmo se incumbe de destruir. Se você pintar uma parede que ainda está molhada, vai perder o serviço e a tinta.

O amor é hoje uma palavra tão mal usada, tão gasta, que é preciso ser redefinida para ser autêntica. O maior engano que existe hoje sobre o amor, é que, na maioria das vezes, quando alguém fala que está amando, na verdade está amando a si mesmo. Isto não é amor; é egoísmo. Há muitas 'miragens' do amor. Se o seu coração bate acelerado diante de alguém que o atrai, isto é sensibilidade, não chame ainda de amor. Se você perdeu o controle e se entregou a ele, isto é fraqueza, não chame isto ainda de amor. Se você está encantada com a cultura dele, fascinada pela sua bela carreira, e já não consegue mais ficar sem a conversa dele, isto é admiração, ainda não é amor.

Amar é uma decisão. E a decisão não é tomada apenas com o coração, empurrado pela sensibilidade. A decisão é tomada com a razão. Amar não é um ato intuitivo, mecânico, é uma decisão livre e consciente. É um ato da vontade, do querer. Para amar é preciso aceitar 'perder-se', esquecer-se, não voltar a si mesmo. É claro que a sensibilidade ajuda você sair de si mesmo, mas ela não é suficiente para levá-lo a amar. A admiração pelo outro, a afeição, empurram você para ele, mas isto ainda não é amor. Lembre-se, o amor é como uma via de mão única, que sai de você e vai até o outro.

É fácil viver as caricaturas do amor, mas o autêntico amor é exigente. A autenticidade do amor se verifica pela cruz. Todo amor verdadeiro traz o sinal do sacrifício. E é através desse sinal que você identifica o verdadeiro amor e o falso. Não há amor sem renúncia. Depois que o pecado entrou em nossa história, amar tornou-se uma 'imolação a si mesmo', uma verdadeira crucificação própria. Mas os seus frutos são doces.

Quando se planta amor, se colhe amor, ensinava São João da Cruz. Muitas vezes você pode ter reclamado de que não recebeu amor, mas será que você semeou amor ali naquele lugar? Se você amar gratuitamente, receberá tudo de volta. Se nos apegarmos ciosamente a nós mesmos e às criaturas, acabaremos perdendo tudo.

Para que o seu namoro seja rico é preciso basear-se neste amor que é doação de si mesmo para construir o outro. Se não houver amor, não haverá crescimento mútuo, e será tempo perdido. O seu namoro só terá sentido se for um aprendizado do autêntico amor. O amor tem muitas faces: a compreensão, a aceitação do outro, o perdão, a busca da verdade, a paciência, a sinceridade, a fidelidade, a bondade, o perdão, e tudo que faz o outro crescer

Medo de que???

Todos nós sentimos algum tipo de medo; sentimento, o qual, muitas vezes parece ser maior do que aquilo que poderíamos suportar. Temos medo do desconhecido, da ameaça de dor e de outras coisas que as pessoas possam nos induzir a sentir a fim de obter o controle sobre nossas emoções. No estresse provocado pelo medo o coração acelera, as mãos suam, e o pavor é estampado em nossa face.


Embora pareça incontrolável, precisamos aprender a vencer um fantasma que se aproxima de nós camuflados em nossas inseguranças, más experiências e ansiedades.

Alguns adultos, cansados da labuta do dia, intimidam suas crianças com histórias fantasmagóricas, as quais, no imaginário infantil, ganham vida e as aterrorizam. Assim, elas facilmente transformam as sombras da noite em terríveis monstros; os passos de um animal no quintal em pegadas de lobisomem; e o quarto, na privação da luz, em calabouços. Muitos pais aplicam dentro de casa os mesmos procedimentos comuns de terroristas e torturadores, isto é, para obter o controle da situação apelam para o controle das emoções de seus filhos.

De crianças para adultos o medo esta sempre a nos perseguir, seja na pessoa de um dentista, professor, médico ou até mesmo na figura do papai Noel.

Muitas vezes, nosso medo está também associado a uma experiência contraria daquilo que esperávamos ou que nos foi apresentada. Em postos de saúdes ouvimos as mães dizer para seus filhos que a injeção não vai doer nada. Automaticamente, mais tarde, quando esta criança entrar numa farmácia ou ambulatório e sentir o cheiro peculiar do ambiente, encontrar pessoas vestidas de branco ou ver uma agulha de seringa, certamente vai fazer referencia a decepção vivida na dor da agulhada. A reação não será outra a não ser de tentar fugir e aprontar um berreiro no local. (Alias, era essa a minha reação quando precisei tomar 22 injeções quando criança, e isso há muito tempo...)

Antes, melhor seria se falasse a verdade sobre a breve picada da agulha, confortando a criança com seu amparo, fazendo-a se sentir protegida mesmo depois da desagradável picada.

Prisioneiro de nossos próprios pensamentos, o medo nos paralisa e nos faz reféns. Vencê-lo não é uma tarefa fácil, a não ser que mudemos a maneira de pensar a respeito daquilo que parece ser o problema.

Apesar da importância em nossas vidas, muitos relacionamentos se tornam difíceis especialmente se não conseguimos desassociar a imagem da pessoa com quem nos relacionamos com aquela que nos fez sofrer.

Não é raro perceber, mulheres que vêem no marido a figura repressora daquele homem, que por inúmeros motivos - inclusive por falta de instrução - reprimiu a liberdade fazendo todo tipo de ameaças, acreditando que desse modo obteria o controle. Outras pessoas, vendo as experiências daquelas que sofreram, assumem para suas vidas tal realidade e temendo situação semelhante, resistem a abrir-se ao novo relacionamento.

Hoje, essas pessoas vivem às sombras de suas próprias inseguranças, temendo ousar nos primeiros passos para a mudança.

A maneira que temos para controlar o sentimento de medo pode estar na maneira como reagimos a ele. Conhecendo a nossa historia ou de quem sofre, podemos melhorar a qualidade do relacionamento. Quando se entende melhor as coisas, a sombra de um galho refletido na janela não parecerá mais como as garras de um monstro que ronda o nosso quarto.

Ética e compaixão!!!

Compaixão não é um sentimento de pena, dó, afeição emocional. É um estado mental da consciência e compreensão de que os outros têm direito de serem feliz. Pela compaixão sentimos satisfação pelo bem-estar dos outros e passamos a viver o altruísmo. O outro é o centro. É a compaixão que nos leva à generosidade e à capacidade de empatia e de consideração pelo bem-estar dos outros com o propósito de não prejudicar, não agredir.


É a compaixão que nos faz agir com gentileza e afeto humanos. Da compaixão brota o espírito de reconciliação que é o respeito pelos direitos e opiniões alheias. Compaixão é um sentimento e uma atitude que encerra compreensão e ternura. Compreendemos as pessoas que erram, porque elas também são feridas desde longa data, são pessoas machucadas, condicionadas pelo seu passado. Erram sem opção, agem emocionalmente, sentem-se impotentes diante de tantos condicionamentos. A compaixão é capaz de compreender as circunstâncias do agir alheio errado, e não se deixar condicionar só pela ofensa recebida. A compaixão leva em conta a fraqueza do agressor, a causalidade de sua situação, a fraqueza inerente a cada pessoa humana. Compaixão é compreensão.

A ética da compaixão não se rege pela aparência das pessoas. Não olha o rosto, mas o coração, não olha a ofensa, mas as raízes e causas que levam as pessoas a ofender seu semelhante. Daí que a compaixão nos faz próximos dos outros, atentos a seus interesses, prontos a perdoar e tolerar, sempre levando em consideração o bem-estar e a felicidade dos outros. A compaixão nos dá um coração de mãe, atitude de respeito e empatia pelo próximo, como também sabe ter paciência e tolerância.

Para alcançarmos a compaixão precisamos de muita espiritualidade e forte disciplina interior, muita coragem. Mas este é o endereço da felicidade e o caminho da paz interior. Um dos primeiros sinais da compaixão é a paciência, a serenidade diante das adversidades e humilhações. Quanto menos alguém se preocupa consigo mesmo, sofre menos e terá mais paz interior. A compaixão supõe a humildade, que é a consciência do nosso húmus, nosso barro e ao mesmo tempo a satisfação pelo bem dos outros, a alegria pelo sucesso alheio, até de nossos inimigos. Humildade é o esvaziamento de si que não é autodesvalorização, mas aceitação do nosso lado fraco, de nossas sombras e feridas.



É a compaixão que nos confere felicidade, paz interior, realização pessoal e sentido da vida. Quanto mais compaixão, menos sofrimento e mais vida. Enfim, a compaixão é a suprema emoção, é a bem-aventurança, a bênção que faz a vida bela e digna de ser vivida. Por força da compaixão nossa opção pelos pobres é duradoura, intrépida e prazerosa

Desordem amorosa!!!

Amar é mais que fazer amor e a carne não basta para responder a infinita fome e sede de amor do ser humano. Educação sexual é educação para o amor e não apenas repasse de informações biológicas e recomendação de preservativos para o sexo seguro. Precisamos, sim, de sexo seguro, mas também de sexo ético. Ninguém duvida que o abraço sexual é também encontro de almas, de corações, de sentimentos, de esperanças, de projetos. Hoje o sexo tornou-se onipotente, onipresente e onisciente. Foi endeusado, pior, erigido em ídolo cujas catedrais são os motéis. "Se ejacula como se urina", diz um famoso sexólogo. Vivemos em tempos de "prazer obrigatório". A lei é aproveitar ao máximo e levar vantagem. O prazer virou um imperativo, uma obrigação e até uma sobrecarga. A virilidade está sobrecarregada. Não podemos dar a tudo isso o nome de amor.
Faz-se sexo à vontade e continuamos enfermos de amor, temos medo de amar, medo de casar, medo de ter filhos. Não estamos em paz com nossos prazeres e desejos. Os que alcançam o tédio sexual debandam para as drogas. A libertação sexual, em si saudável e positiva, descambou para a vulgarização. Em matéria de sexo sempre precisamos de limites, pois o princípio de prazer elevado ao exagero leva à morte, à violência, à agressão. Ódio e paixão estão muito perto, são vizinhos.

Para um relacionamento amoroso não basta a capacidade física, requer-se a maturidade psicológica e ética. Sem esta segurança as paixões, as ilusões, os ciúmes, o apego, a dependência, etc, provocam a desordem amorosa. Os golpes e desgastes na vida amorosa e sentimental acabam em decepção e até depressão. Somos pressionados a satisfazer todos os desejos. Isso tem um grande preço, custa caro porque nos tornamos escravos de esquemas impostos pela sociedade que quer lucrar às custas do prazer. Sexo dá lucro para alguns e desgraça para muitos. Sofremos outro tipo de pressão e controle sexual: a obrigação do prazer sexual.

A desordem amorosa é alarmante. Nossos jornais publicaram que 937 municípios brasileiros têm exploração sexual de crianças. O turismo sexual explora e exporta os adolescentes para o jogo da prostituição. Excitantes ilicitamente adquiridos com o efeito do Viagra, são consumidos à vontade, porém a medicina já descobriu o HPV, uma doença sexualmente transmissível que comporta mais de 100 subtipos de vírus. Hoje amor à vista pode ser perigo à vista.

Não estamos propondo aqui o moralismo negativista, nem o recalque afetivo. O que interessa mesmo é saber que "não morremos por falta de sexo, mas por falta de afeto" (F. Kahn). Portanto, precisamos de carinho, reconhecimento, colo, atenção, valorização. A ética da ternura livrar-nos-á da exasperação sexual. Nem tabu, nem libertinagem, mas "simpatia sexual" que é o sexo ordenado pelo amor e não pela paixão.

Reabilitando o valor humanizante da castidade e o princípio da inocência, não estaremos recalcando a sexualidade, mas sublimando-a. Não somos anjos, nem selvagens, somos humanos com a missão de humanizar a sexualidade na lógica do amor, dos valores, dos limites. Ordenar nossos afetos desordenados é humanismo e maturidade. A escravidão dos instintos não pode ser o preço da permissividade ética de nossos dias. Nem moralismo, nem erotismo fazem bem, mas a humanização da sexualidade redimida pelo amor. Ser amado, receber carinho e reconhecimento, ter valores, observar limites e unir-se a Deus são remédios que ordenam a sexualidade